A outra escada para o sucesso
Como se
tornar o número um por caminhos alternativos
O
capitalismo. Graças a ele, uma pessoa não precisa vir de um berço nobre para
ser considerada “alguém”. Não importa se você é rico ou se é pobre (ao menos em
teoria), basta apenas ter a ambição e se esforçar para realizar o sonho e,
assim como os yuppies na década de
80, conseguir seu primeiro milhão. Claro que não é fácil, o caminho é tortuoso
e as coisas ficam realmente complicadas se o seu pai, sua mãe ou algum parente
próximo não forem membros da alta sociedade, mas aprendemos uma coisa: quem realmente quer, alcança. É só abandonar
questões ultrapassadas e maniqueístas, como “o certo e o errado”.
Sejamos
francos, nem todas as pessoas têm condições de chegarem ao topo de forma
igual. A sociedade diz que todo mundo é
igual, direitos iguais, e toda essa “lenga-lenga”, mas convenhamos: no mundo
real não é assim que as coisas funcionam. Como um jovem, morador de uma comunidade
carente, é igual a um morador da Zona Sul do Rio, por exemplo? Mas não é mesmo, e todos sabemos disso. Mas
existe uma ferramenta que, sem sombra de duvidas, pode ajudar esse jovem,
ignorado pelo Estado: a Violência.
A Violência
é a mais velha arma usada pelo homem para alcançar seus objetivos. Através dela
impérios foram erguidos, muitas fortunas e glórias só foram possíveis porque
uma ou mais pessoas decidiram que seus desejos valiam mais que a vida de
terceiros. Alexande Magno, Atila, o Huno, Genghis Khan, os Césares, todos eles
pintaram de vermelho o chão de vários campos de batalha, para que seus
objetivos fossem conseguidos. Homens que tiveram os “colhões” de fazer o que
devia ser feito, garantindo seu lugar na história. E apesar de ser uma
ferramenta rústica, considerada errada pelas massas nos tempos atuais, ela não
perdeu sua utilidade. Muitos ainda conseguem muitas riquezas por terem
aprendido a usarem esse instrumento com certa maestria.
Isso pode
soar como “coisa de maluco”, mas a verdade é que a violência é uma das
alternativas mais recompensadoras para aqueles que querem fazer dinheiro e não
o conseguem através da legalidade. É um mercado que cresce sempre em tempos de
crise e, quem for esperto, tiver sangue-frio e nervos de aço, pode muito bem
ser tão ou mais rico quanto qualquer homem de negócios. Aliás, todos os grandes
negociantes de drogas, por exemplo, não passam de homens de negócios. Todos
eles viajam muito, contratam terceiros para administrarem suas “empresas”, e
todos os funcionários, não importando sua posição dentro da “companhia”, devem
realizar com esmero suas funções para o bom funcionamento da “máquina
corporativa”. E com a vantagem de que não têm que se preocupar em pagar
seguro-desemprego, e os funcionários insatisfeitos não podem pôr os patrões na
justiça. E o melhor, a mão de obra lhe é barata e sempre se renova.
Sem dúvida
que a violência é uma faca de dois gumes. Ela pode trazer muitos problemas se o
indivíduo não souber dosá-la. E, como se não bastasse, a violência sempre traz
violência contra seus usuários. O grande desafio é estar sempre de olhos bem
abertos, tanto para não usar menos do que o necessário nem em excesso. É como
ao preparar um bolo, todos os ingredientes devem ser utilizados da maneira e na
quantidade certas. Para que seu negócio prospere é preciso saber quando atirar
e quando ameaçar. Se estiver lidando com alguém que pode ameaçar seu futuro
profissional, muitas vezes eliminar esse seu desafeto pode muito bem lhe dar
mais dores de cabeça do que algum tipo de lição moral. Ao lidar com um “espião
industrial”, muitas vezes sai muito mais em conta deixá-lo vivo, pensando que
você não sabe de nada e depois utilizar essa falha para descobrir quem o enviou
e está tentando prejudicá-lo. Depois, com tudo resolvido é que deve ser feita a
retaliação.
Isso tudo
pode soar extremamente desumano, mas a verdade é que o sistema não faz nada
mais do que criar esses “empreendedores” dia após dia. Quando homens
capitalistas de “bem”, ao administrarem um país, decidem que a educação não é um direito igual a todos, quando
o que você usa e compra definem o sue verdadeiro “eu” e uma grande quantidade
de pessoas de bem se vêem obrigadas a amargar sérias dificuldades por falta de
trabalho, digamos, honesto, por mais humilhante e pouco recompensador que ele
seja, mais lenha é posta nessa grande fogueira. Fogueira essa que queima tudo
aquilo que está a seu redor.
Caso esteja
pensando em não considerar esses caminhos, se sua moral e todos os ensinamentos
que seus pais te deram ainda fizerem você achar que a violência não é o
caminho, lembre-se das palavras de Balzac: “Por trás de toda fortuna há um
crime”. Não se esqueça também que as canetas de líderes “democráticos” matam
mais do que 200 armas, e que homens como “Pablito” Escobar nunca teriam
existido se não existissem pessoas que precisassem deles. No fim das contas verá que ele nem era um
ser humano tão mais vil que qualquer outro grande homem de negócios ou
político, era apenas alguém que trilhou o capitalismo por essas vias alternativas.
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Violência Urbana
Por
Cristiane Siqueira
A violência urbana está presente em todos os Estados do Brasil. Temos medo até de sair de casa para cumprir as tarefas comuns do dia-a-dia, como ir ao trabalho, levar as crianças à escola e fazer compras no supermercado. Não estamos seguros nem mesmo dentro das nossas próprias casas, com risco de sermos acometidos por uma bala perdida.
Pode parecer absurdo, mas a meu ver, deveriam existir duas maioridades penais. A primeira delas seria reduzida para 16 anos para todos os tipos de contravenções, porque os menores infratores cometem crimes devido à certeza de impunidade. Eles sabem que não serão presos e, no máximo, cumprirão medida de segurança em estabelecimento fechado ou semi-aberto dependendo do caso. Ao mesmo tempo dever-se-ia aumentar o número de cadeias públicas com condições de salubridade e higiene para que pudessem comportar todos os presos.
A atual maioridade penal, de 18 anos,
deveria ser aumentada para o ingresso de pessoas em casas noturnas e para a
obtenção da carteira de motorista porque a maioria dos jovens se comporta de
maneira irresponsável e inconseqüente, não têm juízo e se julgam perfeitos
imortais. Passam do limite nas bebidas alcoólicas, se sentem mais corajosos e
poderosos, põem em risco suas vidas e expõem a dos demais.
Somente
estas medidas não seriam suficientes para sanar a questão da violência urbana,
mas resolveria boa parte de seus problemas. Paralelamente, outras medidas de
ordem pública deveriam ser adotadas, como exemplos, a reestruturação da polícia
com vistas a um melhor preparo no combate ao crime, verbas destinadas à
educação pública a serem distribuídas entre as escolas e não desviadas para
outros fins, tempo integral das crianças nas escolas com atividades sociais e
culturais diversificadas, em especial a prática de esportes, o que serviria de
incentivo ao aprendizado e diminuiria o tempo de ociosidade e,
conseqüentemente, o índice de criminalidade.
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Brasileiros x Brasileiros:
origens do ódio e da violência social
A violência tem crescido numa escalada progressiva que ocupa lugar
de destaque nos noticiários, jornais e revistas de todo o país. São tantos
casos de assassinatos, balas perdidas, seqüestros etc., que nos perguntamos
muitas vezes por dia se não estamos vivendo em algum país do Oriente Médio.
A guerra urbana piora na medida que a
cobertura da imprensa por ela se interessa, o que tem corroborado para a
instalação de uma sensação de pânico da população brasileira, aparvalhada
diante de tantos acontecimentos trágicos envolvendo trabalhadores, estudantes,
idosos, turistas que transitam pelas ruas das cidades brasileiras. Ninguém sabe
quem será a próxima vítima, qual o grau de crueldade do ataque que lhe será
desfechado e o que pode ser feito para reverter a situação.
A população,
comandada pelos parentes das vítimas dessa guerrilha sem sentido, se organiza
em passeatas ou em ONGs para tentar cobrar das autoridades municipais, estaduais
e federais providências que interrompam a escalada da violência e devolvam a
todos o direito constitucional de ir e vir com segurança e tranqüilidade. Mas
apesar de cobrarem um direito, exigindo que se combata os efeitos do banditismo
que assola o país, a grande maioria esquece de que é necessário tentar
identificar primeiro quais seriam as causas dessa explosão de ódio que se volta
contra o cidadão comum. E aí, buscamos na física o princípio de que todo efeito
tem uma causa de igual intensidade e desconhecê-la é, sem dúvida, não ter como
solucionar o problema.
Pergunto-me
constantemente o quê se pode fazer, melhor, o que eu posso fazer para tentar
reverter essa tortura que se transformou viver em terras brasileiras. A resposta,
não a tenho, assim como a maioria das pessoas e autoridades que nos rodeiam.
Se pensarmos como
esse ódio aqui se instalou, perceberemos que ele baixou nessas terras junto com
as naus dos colonizadores que para cá trouxeram degredados, marginais,
prostitutas, e toda a escória que desprezavam e queriam bem longe da Corte.
Essa atitude plantou nesse solo as raízes desse ódio, de um desprezo pela terra
e seus nativos, de um descaso com a sua natureza, de um desejo pela destruição
e de um prazer oriundo da crueldade, que se aprofundaram durante a colonização,
com a escravização de índios e negros. Observem que todos – colonizadores,
índios e negros – aqui aportaram banhados por rancores, ódios, decepção, mágoas
e perdas.
Esses sentimentos
negativos foram transmitidos de uma geração à outra pelos cancioneiros, pelas
histórias do folclore que tantos monstros e seres mágicos reúne, pela saudade
das culturas de origem que foram reinventadas e mescladas com as de outros
povos.
Da mesma forma o
sonho do enriquecimento instantâneo foi outro estímulo fomentado pela Corte
portuguesa para atrair comerciantes, nobres para a colonização das terras, sem
que lhes fosse informado os perigos que enfrentariam. Muitas famílias aqui
perderam riquezas e vida. Assim, nosso povo tem origem de uma gente infeliz com
sua realidade, gananciosa, vingativa, revoltada. O contraste entre os
extremamente ricos e os miseráveis e escravos só fez acirrar as diferenças e
alimentar a vingança.
O Brasil imperial
não foi diferente e a grande quantidade de negros trazidos para cá e
posteriormente libertados sem nenhum planejamento de integração fomentaram
ainda mais ódio, contido em um racismo ora explícito ora velado, mas sempre
atuante. Liberto, o negro não tinha emprego, direito a estudo, moradia,
cultura. Seus descendentes, tampouco. Perdeu seu lugar na lavoura para navios
carregados de miseráveis europeus que buscavam as terras que lhes eram negadas
em seu continente. A mestiçagem criou mulatos, mamelucos, eram rechaçados pela
elite branca e pelos negros, tendendo para um lado ou outro conforme o tom da
pele, a conveniência e a ambição pessoal.
A República
empurrou o problema para debaixo do tapete. Dissimulou preconceitos conforme a
ocasião, transformou mestiços, negros e índios em pobres e indigentes e os usou
conforme seu interesse eleitoreiro e a necessidade de usar sua mão-de-obra para
construir conforto, riquezas e privilégios para si mesma.
O resultado disso,
conhecemos bem. À extrema pobreza e a esse ódio reprimido pelo poderio econômico
de uma oligarquia, juntou-se a contravenção – tráfico, contrabando, corrupção
de ambas as partes e o resultado é isso: uma elite riquérrima, gananciosa,
egoísta, que despreza o pobre, ao mesmo tempo em que dele necessita para
ampliar seu patrimônio e conforto; do outro remediados e miseráveis que almejam
a riqueza, embora apenas 0,001% tenha chances reais de alcançá-la licitamente.
Não poderia ser diferente: a situação era uma bomba que ganhou corpo e agora
estoura, atingindo a todos sem medir conseqüências.
Reverter a situação
é de uma vez por todas assumir aquele compromisso histórico de resgate e
integração. É aterrar o abismo social e partilhar riquezas. Depende de um pacto
para que os que muito têm cedam uma parte aos sem-tudo.
²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²
Diariamente, ao ler o jornal ou
acompanhar os acontecimentos do dia pelo noticiário da televisão, nos deparamos
com a situação de caos urbano que vive a cidade do Rio de Janeiro. É com grande
consternação que acompanhamos diariamente o sofrimento de mães e pais que
perdem seus filhos de maneira covarde e brutal. Quantas Gabrielas, Alanas e
Joãos terão que morrer para que alguma atitude seja tomada para reverter essa
situação lamentável em que se encontra a nossa cidade?
Apenas
nos primeiros meses, já foram registrados mais de mil assassinatos no Rio, mas
apesar da repercussão desses crimes que chocaram não só o nosso Estado, como
também todo o país, nenhuma solução foi encontrada para diminuir a criminalidade.
A discussão maior gira em torno da redução da maioridade penal, que levaria os
jovens infratores de 16 e 17 anos para a prisão e não mais para casas de
recuperação como acontece hoje em dia. Porém essa medida não irá resolver de
fato os problemas de desigualdade social que injetam crianças no mundo do crime
como única opção de sobrevivência. É preciso que nossos parlamentares, em vez
de gastarem dinheiro trocando de carro, aumentando seus próprios salários e
construindo verdadeiros palácios como o que vai ser a nova cede do TSE,
invistam na educação e na saúde do povo que vive na miséria e não tem acesso as
condições básicas de moradia. Investir na formação das crianças hoje, para que
elas tenham a possibilidade de estudar e não se tornem o Marcola e o
Fernandinho Beira-Mar de amanhã.
A indignação da população é grande, porém nenhum tipo de ação reúne uma grande quantidade de manifestantes para protestarem contra a violência e o descaso das autoridades. As passeatas e missas organizadas por Ongs e familiares de vítimas ficam vazias e não representam de fato a insatisfação geral que toma conta dos cariocas. Sendo assim está na hora de todos se unirem para reverter esse quadro que está cada vez mais insuportável, e mostrar que o povo tem força sim quando se dedica e luta por uma causa.
²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²
Por Natália dos Santos Alves Pinto
Força, vigor, potência, emprego da
força física ou dominação contra o direito e a lei, isto pode-se entender como
violência ou violentia. Inerente ao
ser humano, a violência é a causa do pânico vivido, ultimamente, pelos
moradores dos grandes centros. Roubos, seqüestros, assassinatos, estupros,
tráfico e drogas. O que será que está acontecendo?
Analisar as causas da violência é um
trabalho árduo e conflituoso, pois vários fatores contribuem para esta explosão
de sentimentos e é por isso que durante anos a fio pesquisadores, pensadores,
psicólogos, sociólogos e todos os cultos da nossa sociedade discutem e discutem
sobre o mesmo assunto e sempre há mais para falar. A violência urbana tem
traços específicos na sociedade que retrata causas tanto psicológicas quanto
problemas sociais. O desrespeito com o próximo e as agressões verbais podem ser
vistas pela grande maioria como um pequeno estopim dentre tantos crimes
existentes na vida urbana, mas causam grandes estragos quando estão presentes
na vida familiar e escolar.
A família e a escola são as primeiras instituições que um ser
humano tem contato e são elas que dão a base para a formação do caráter de uma
pessoa. Um ambiente familiar aonde não há amor e não há uma estrutura
psicológica e financeira consolidada pode gerar revolta, tristeza, rebeldia e
por fim a violência de fato. O que se observa no Brasil é que a grande maioria
das famílias vive em condições subumanas, ou seja, moradia precária, salários
baixíssimos para cuidar de muitos filhos, falta de preparo escolar e
conseqüentemente psicológico e quase total ausência de cultura. A pobreza pode
ser vista como resultado da falta de oportunidade no mercado de trabalho para
os jovens, o salário mínimo vergonhoso, as altas taxas de impostos,
distribuição de renda desigual, educação básica esquecida pelo governo, mensalões, mensalinhos, sanguessugas
e salários exorbitantes para os políticos que “amam” nossa pátria amada.
Mas a pobreza não pode ser vista como
único fator para este problema, até por que muitos nem a consideram um fator. A
impunidade, despreparo da polícia, descaso dos políticos com a população, saúde
pública refletida em filas intermináveis nos hospitais, a demora da lei e a
velha dúvida que gira sobre ela, a lei é realmente para todos? Todos estes
fatores culminaram nesta disseminação desenfreada da violência urbana
vivenciada pelo país. E o que está sendo feito? Onde estão as soluções?
Cada dia que passa as pessoas se
enjaulam dentro de seus apartamentos com, no mínimo, duas trancas e seus
prédios com segurança de última geração, grandes muros e grades até dizer
chega. È certo ficarmos presos e os delinqüentes soltos? É certo deixar a
população carente a mercê de salas de aula dentro de banheiro? Mais uma vez a
população quer saber onde está o poder público.
Portanto, não adianta os políticos
fazerem promessas de melhoras, porque ninguém vive de promessas e sim de ações,
não adianta a sociedade apenas reclamar e continuar em seu mundo fechado de
discriminação com o próximo, é preciso agir. A integração das políticas urbanas
(município) e segurança pública (Estado) está mais que na hora de acontecer. A
criminalidade só irá diminuir se sairmos do campo do pensar e partimos para o
campo das ações, mas ações de conteúdo e não ações que visam apenas parte do
problema com soluções pequenas. É preciso ir à base da questão e parar de
tentar resolver apenas as ramificações.
²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²
Por Fábio Jardim
Segundo o jornal O Dia que considerou
o evento de passeata pelo cidadão, para cobrar dos seus governantes proteção e
zelo ao cidadão, o “confronto” entre crianças
e adolescentes e os truculentos policias, dos quais, segundo ele, o jornal,
três ficaram feridos contrapondo com outros três adolescentes detidos.
Embora o que se via no início da
passeata eram grupos de adolescentes com tambores, cartazes e animação numa
inocente intenção de promover um agito no centro da cidade, em sua principal
avenida comercial, chamando assim a atenção da opinião publica, para a decisão
judicial, publicada no Diário Oficial do estado na última quinta-feira, que
considerou o passe livre inconstitucional. A medida do Tribunal de Justiça
atendeu a uma ação das empresas de ônibus do estado.
Confesso que até eu, que vos escrevo
não estava sabendo de tal decisão que no mínimo me indigna.
Segundo a assessoria de imprensa da
Federação das Empresas de Transporte, que vem aumentando as passagens nos
últimos anos, acima do valor legal, empresa viciadas em lucrar e acumular
riqueza, o objetivo não é acabar com o direito dos estudantes, mas garantir que
os custos de suas passagens sejam pagos pelo estado, e não pelas empresas. A
prefeitura do Rio defende o benefício, alem de conceder periodicamente os
aumentos abusivos.
Tais jornais assim como a policia,
funcionários desse sistema formado para poucos, preferem discutir a menor idade
penal, matando assim dois “coelhos com uma cajadada”, acuando o jovem, em seu
vigor cívico, seu esplendor e a coragem da sua rebeldia, além de afastar as
atenções, desviando os olhares das manipulações, até do próprio jornal em
questão.
É importante por em pauta a questão da
violência urbana que surge de todos os lados; de um o poder que não permite
questionamento, utilizando de força para incitar medo, de outro a falta de
educação com seu ensino precário e suas escolas despreparadas, ainda assim
resolvem dificultar ainda mais o acesso ao ensino, que já a muito tempo é
considerado moeda valiosa, aumentam as possibilidades de criarem jovens
marginais, sem perspectivas nenhuma de vida e sem nada a perder, e com sorte
com uma arma na mão para se defender do cacete do guarda e sentir também o
gostinho do poder de deixar o outro com medo, acuado.
_________
* O texto
refere-se ao confronto entre estudantes (reivindicando passe-livre nos ônibus)
e policiais, em abril deste ano.
²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²
Por Diego Rufino
Sempre
que um crime bárbaro acontece, daqueles que mobilizam vários segmentos da
sociedade, alguma autoridade política vem a público pedir calma, racionalidade
e tranqüilidade. Sem nunca esquecer o clichê, mais do que batido, de que não se
deve tomar decisões de cabeça quente, no calor do momento. Que devemos focar na
justiça social, na educação, na desigualdade e tudo mais. Esse raciocínio raso
ganha força com a adesão de jornalistas, sociólogos, intelectuais, ongeiros (sim, já virou profissão) e
lideres dos ditos movimentos sociais.
Esse
discurso foi predominante depois do caso João Helio – o menino que foi
brutalmente arrastado. Mas parece que eles – políticos, jornalistas e etc -
esquecem que nós estamos no Brasil e tragédias como essa já fazem parte do
nosso cotidiano. Fazendo uma rápida pesquisa online, encontrei, pelo menos,
cinco casos de assassinatos brutais recentes. O site Rio Body Count (que
contabiliza mortos e feridos no estado do Rio), está no ar desde dia 1º de
fevereiro, e já contabiliza 448 mortos e 268 feridos. Não há desigualdade
social que explique tais números.
O Presidente da República, Luís Inácio
Lula da Silva, ao falar sobre o assunto, disse que todos somos culpados desses
crimes e que punir não resolve nada. O pior é que a maioria achou normal, e até
mesmo correta, essa declaração estapafúrdia. No Brasil, os bandidos viraram
pobres vítimas do sistema. Esse conceito é absurdo, cometer crimes, ou não, é
uma escolha de cada cidadão, a responsabilidade individual não pode ser deixada
de lado. Eu não me responsabilizo pelas escolhas alheias. No último fim de
semana, em entrevista à revista Veja, Bia Furtado, modelo, 30 anos, que
sofreu queimaduras de terceiro grau no rosto, nos ombros, nas costas, no braço
direito e nas mãos, quando o ônibus em que estava foi incendiado por bandidos,
disse: "Eu não culpo os bandidos. O culpado é
o estado, que deixou uma barbaridade como essa acontecer”.
Como se vê, no Brasil, as pessoas sempre preferem
culpar uma entidade abstrata como o Estado, ao invés, de assumir o conceito de
que cada um é responsável pelos próprios atos. Os mesmos também gostam de
colocar a culpa na sociedade, na classe média, ou simplesmente apontam o dedo
pra todo mundo. Pobreza e falta de acesso à educação de qualidade não
justificam tamanha crueldade. Queimar pessoas é errado, não é difícil entender
algo tão simples. Graças a esse paternalismo, a impunidade no Brasil chegou a
níveis inimagináveis. Existem mais de meio milhão de mandatos de prisão
expedidos pela Justiça que ainda não foram cumpridos. Bandidos voltam as ruas
após ficar apenas um ano e meio na cadeia, não cumprem a condicional e ninguém
nota até que ele cometa um outro crime. Mas mesmo diante desse cenário, o
Brasil continua patinando na hora de adotar medidas que visem combater a
violência.
Na última
semana, duas notícias chamaram a minha atenção, são muito mais interessantes do
que a surrada, porém importante, discussão sobre maioridade penal. No jornal O
Globo, do último domingo, saiu a notícia de que a Secretária de Assistência
Social e de Direitos Humanos, do Rio de Janeiro, pretende lançar um projeto de
auxílio à família dos menores infratores. Essa é uma clara demonstração de
incentivo financeiro ao crime. Está certo, que muitas vezes à família não tem
culpa de nada, mas o auxílio é totalmente descabido. A outra notícia foi
vinculada em vários veículos de comunicação. A Justiça do Rio de Janeiro,
através de liminar concedida pela desembargadora
Maria Raimunda Azevedo, proibiu a revista de qualquer criança que more em
alguma comunidade carente. Isso porque, na semana anterior, alguns policiais
revistaram crianças uniformizadas na saída de uma escola em Vigário Geral. Foi
achada uma pistola dentro da mochila de uma criança de nove anos. Essa proibição
da justiça carioca, que foi pedida por uma ONG (que recebe verba pública, uma
contradição tipicamente brasileira), provavelmente terá o efeito contrário. Ao
invés, de proteger a “dignidade da criança” – o que a desembargado diz defender
-, vai acabar submetendo as mesmas aos traficantes, já que agora eles vão ter
certeza que podem usar crianças para traficar armas nas escolas. Na tentativa
de resolver problemas as autoridades acabam agravando-os. Ou acabam criando
outros problemas.
Dias atrás, Fernando Collor,
ex-presidente, atualmente Senador, pelo Estado de Alagoas, fez um longo
discurso em sua volta ao Parlamento, tentando convencer a todos de que ele era
apenas um injustiçado. Pior que a cara-de-pau do ex-presidente, é constatar -
tristemente - que a impunidade no Brasil chegou a tal ponto, que ele não deixa
de ter razão. Mas a culpa não é minha.
²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²²
Violência
Quando se fala em estudar a violência,
geralmente se pensa em áreas como sociologia, segurança, educação e políticas
públicas. A violência de caráter endêmico, implantada num sistema de relações
assimétricas, não é um fenômeno novo - dá continuidade a uma longa tradição de
práticas de autoritarismo. 'Violência Urbana' apresenta os patamares da
violência urbana no Brasil, o contexto maior em que ela se apresenta e indica
os caminhos para sua superação.
A Violência Urbana pode ser constatada
em seus múltiplos aspectos: um morador de rua em Copacabana, no Brasil, ou um
ataque de gangue de jovens contra um brasileiro,na Austrália.
Se a violência é urbana, pode-se
concluir que uma de suas causas é o próprio espaço urbano? Os especialistas na
questão afirmam que sim: nas periferias das cidades, sejam grandes, médias ou
pequenas, nas quais a presença do Poder Público é fraca, o crime consegue
instalar-se mais facilmente. São os chamados espaços segregados, áreas urbanas
em que a infra-estrutura urbana de equipamentos e serviços (saneamento básico,
sistema viário, energia elétrica e iluminação pública, transporte, lazer,
equipamentos culturais, segurança pública e acesso à justiça) é precária ou
insuficiente, e há baixa oferta de postos de trabalho.
Esse e os demais fatores apontados
pelos especialistas não são exclusivos do Brasil, mas ocorrem em toda a América
Latina, em intensidades diferentes. Não é a pobreza que causa a violência. Se
assim fosse, áreas extremamente pobres do Nordeste não apresentariam, como
apresentam, índices de violência muito menores do que aqueles verificados em
áreas como São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades. E o País estaria
completamente desestruturado, caso toda a população de baixa renda ou que está
abaixo da linha de pobreza começasse a cometer crimes.
Outros dois fatores para o crescimento
do crime são a impessoalidade das relações nas grandes metrópoles e a
desestruturação familiar. Esta última é causa e também efeito. É causa porque
sem laços familiares fortes, a probabilidade de uma criança vir a cometer um crime
na adolescência é maior. Mas a desestruturação de sua família pode ter sido
iniciada pelo assassinato do pai ou da mãe, ou de ambos.
No entanto, alguns especialistas
afirmam que essa causa deve ser vista com cautela. Desestrutura familiar, por
exemplo, não quer dizer, necessariamente, ausência de pai ou de mãe; ou modelo
familiar alternativo. A desestrutura tem a ver com as condições mínimas de
afeto e convivência dentro da família, o que pode ocorrer em qualquer modelo
familiar.
Também não é o desemprego. Mas o
desemprego de ingresso – quando o jovem procura o primeiro emprego, objetivando
sua inserção no mercado formal de trabalho, e não obtém sucesso – tem relação
direta com o aumento da violência, porque torna o jovem mais vulnerável ao
ingresso na criminalidade. Na verdade, o desemprego, ou o subemprego, mexe com
a auto-estima do jovem e o faz pensar em outras formas de conseguir espaço na
sociedade, de ser, enfim, reconhecido.
Sem conseguir entrar no mercado de
trabalho, recebendo um estímulo forte para o consumo, sem modelos próximos que
se contraponham ao que o crime organizado oferece (o apoio, o sentimento de
pertencer a um grupo, o poder que uma arma representa, o prestígio) um
indivíduo em formação torna-se mais vulnerável.
O crescimento do tráfico de drogas,
por si só, é também fator relevante no aumento de crimes violentos. As taxas de
homicídio, por exemplo, são elevadas pelos “acertos de conta”, chacinas e
outras disputas entre traficantes rivais.
E, ainda, outro fator que infla o
número de homicídios no Brasil é a disseminação das armas de fogo,
principalmente das armas leves. Discussões banais, como brigas familiares, de
bar e de trânsito, terminam em assassinato porque há uma arma de fogo
envolvida.
Segundo o sociólogo, Luís Antônio
Francisco de Souza, “A pobreza não é causa da violência. Mas quando aliada à
dificuldade dos governos em oferecer melhor distribuição dos serviços públicos,
torna os bairros mais pobres mais atraentes para a criminalidade e a
ilegalidade.”
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Violência na Cidade Maravilhosa
Por Jacqueline Carvalho
Parece que o caos se instaurou na cidade do Rio de Janeiro. A população já não se sente mais segura ao sair nas ruas. Os telejornais estão cada vez mais repletos de notícias sobre a violência na cidade. É difícil acreditar que casos como o do menino João Hélio, que preso ao cinto de segurança durante um assalto foi arrastado por sete quilômetros e do ônibus incendiado na Avenida Brasil, tenham realmente acontecido.
Não
se pode inocentar os responsáveis por tais atos, porém também não se deve
desconsiderar o descaso do Estado que não investe na educação e
consequentemente não dá oportunidades iguais para que todos possam se
desenvolver profissionalmente, culturalmente, individualmente. Tal desigualdade
social faz aumentar a violência, principalmente nas grandes cidades. Muitos
meninos que não têm a chance de estudar e praticar alguma atividade que lhes dê
prazer e motivação acabam indo para o mundo do crime. Famílias inteiras que
passam necessidades financeiras se vêem obrigadas a colocar seus filhos para
trabalhar, a fim de garantir o sustento da casa.
O
Estado vem cogitando a possibilidade de diminuir a maioridade penal para 16
anos, a fim de punir jovens infratores com sentenças mais severas. A idéia é
válida, porém sem os investimentos citados anteriormente, muito dificilmente a
violência irá diminuir. Se faz necessário um maior preparo da polícia. Homens
mal remunerados se arriscam diariamente trabalhando sem treinamento e sem os
equipamentos necessários.
Recentemente
o segurança do governador Sergio Cabral foi assassinado, o que mostra que nem
as autoridades que dispõe de amplo aparato de segurança estão livres da
violência. Sem dúvida, a população que paga seus impostos merece um Rio mais
tranqüilo.
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